Protesto Carnavalesco Fuma-C, Dia 25/11, às 14 hs na Praça MunicipalEm 02 de novembro de 2005, foi às bancas a revista Carta Capital, cuja matéria de capa, intitulada “Um duto baiano”, se referia a uma conta fantasma atrelada à Bahiatursa. Esta conta, segundo um relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado, movimentou R$ 101 milhões entre 2003 e abril de 2005. Desses R$ 101 milhões, R$ 48,1 milhões foram depositados nas contas da Rede Interamericana/Propeg, do publicitário Fernando Barros – homem intimamente ligado ao clã dos Magalhães e ao PFL baiano, além de ser um campeão local de licitações. Segundo a reportagem, nos primeiros quatro meses de 2005, 62% de TODOS os recursos da Bahiatursa foram para a Propeg. Além disso, a estatal, uma empresa dependente do governo estadual, gastou 94,55% do orçamento apenas no primeiro quadrimestre deste ano.
Esse fato já havia sido noticiado no dia 10 de setembro de 2005, quando foi às bancas o jornal A Tarde com a matéria “TCE revela caixa dois na Bahiatursa”. De setembro até novembro pouco se fez em relação ao caso. Muito pelo contrário, a revista Carta Capital “misteriosamente” sumiu das bancas de Salvador. Dessa forma a população não tem acesso às informações e não tem como criar uma opinião crítica a respeito do fato (mas descobrimos que a revista, e a matéria na íntegra, pode ser encontrada em versão digital
clicando aqui).
O fato é: a criação de contas fantasmas para pagamentos irregulares de despesas não autorizadas, em lei, configura-se como CRIME de improbidade administrativa. Caso o crime seja confirmado em juízo, as penas vão desde o ressarcimento integral do dano à perda da função pública e suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos.
A partir desse acontecimento temos a prova que de fato existe a prática do coronelismo na Bahia. A prática do apadrinhamento e do monopólio. A censura, que estava guardada nos tempos da ditadura, retorna à Bahia com o sumiço da edição da revista Carta Capital das bancas. Cabe lembrar, também, que até hoje o vídeo “O fim do Homem Cordial”, ganhador do Festival de 5 Minutos de 2004, ainda não foi exibido na sala Walter da Silveira, na Diretoria de Artes Visuais e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Continua proibido!
A política cultural no estado da Bahia é mal-administrada. A Secretaria de Cultura e Turismo é por si só uma contradição: erroneamente, atrela-se a cultura ao turismo. Percebe-se claramente que nada entendem sobre a dinâmica da cultura e da arte. Precisamos de mudanças!
A FAVOR DE UMA MUDANÇA NA POLÍTICA CULTURAL DO ESTADO: JOVENS, ARTISTAS, TRABALHADORES, CIDADÃOS BAIANOS, UNI-VOS!
O que propomos é um protesto carnavalesco. Uma forma lúdica e criativa de expressar o nosso repúdio em relação à forma como a cultura é tratada no nosso estado. A Manifestação Carnavalesca Fuma-C é uma performance e um happening. A queima de incensos é uma metáfora para a queima dos maus políticos, imorais e antiéticos, dos coronéis. Vamos purificar a nossa cidade! Venham fantasiados e tragam seus instrumentos musicais. Tragam a sua arte. Tragam a sua indignação. Todo tipo de expressão é válida: poesia, street art, música, artes circenses, hip-hop, grafite, capoeira, performance, dança, gritos. Não devemos nos calar! A manifestação carnavalesca Fuma-C comporta a heterogeneidade e as singularidades. Se você quer manifestar a sua indignação por algum motivo não citado acima, sinta-se livre para expressá-la e nos acompanhar.
A ARTE É O QUE RESISTE!
Nosso encontro será na sexta-feira, dia 25 de novembro de 2005, na Praça Municipal. Às 14 horas, daremos início a uma caminhada performática, uma manifestação em forma de um grande bloco de carnaval, que comporta a diversidade e a singularidade de cada um, mas juntos por um só motivo: expressar a nossa insatisfação diante da maneira como é conduzida a política no estado da Bahia. Utilize frases, fachas, cartazes, camisetas, até mesmo o seu corpo, como algo que sirva de suporte e traduza da melhor forma a sua indignação. Se você é tímido, máscaras e fantasias também são bem-vindas. O importante é a sua presença e criatividade para ocupar e coletivizar o espaço público de nossa cidade, quebrar o ritmo e introduzir estranhamento e incertezas nessa mansa ordem cotidiana.
De preferência sem slogans politiqueiros ou palavras de ordem. Vamos inventar juntos um novo fazer político, desvinculado das falidas instituições políticas clássicas, tais como partidos, sindicatos e associações cívicas formais. Nossa performance é uma tentativa de preencher o vazio deixado pela crise dessas organizações políticas verticalmente integradas. Não precisamos mais de tais atravessadores. Vamos agenciar uma nova forma micropolítica de ação, uma performance leve, sem o peso das caracterizações políticas tradicionais. Acreditamos que é na alegria, na dança, na música, no riso, na vontade de estar junto e conectar-se para além da vida política institucionalizada, que reside a mais radical dimensão política. Vamos provar que não somos apáticos, que não deixamos de nos organizar e mobilizar na defesa de nossos interesses ou na afirmação dos nossos valores. Apenas estamos buscando maneiras novas e mais criativas de agir politicamente. Através de nossas coalizões frouxas, mobilizações semi-espontâneas e movimentos criados para um fim específico, desejamos substituir as organizações formais, estruturadas e permanentes. Criar uma mobilização em rede, sem organização profissional, sem centro, sem estrutura de comando ou programa comum. Uma mobilização heterogênea, composta por indivíduos e organizações que convergem nesse protesto carnavalesco, para depois se dispersar e focalizar as suas próprias questões específicas. A eficácia desse tipo de mobilização advém precisamente de sua diversidade, e sua influência vem da capacidade de suscitar questões e forçar um debate, sem entrar numa negociação, pois ninguém pode negociar em nome do movimento. Trata-se de puro movimento, não de um precursor de novas instituições.
Acreditamos que os processos de mudança social, hoje em dia, tendem a ser cada vez mais conflitivos e passam a girar em torno das lutas das multidões autônomas para transformar as categorias de nossa existência mediante a formação de redes interativas como forma de organização e mobilização. Por isso, dia 25 de novembro movimente-se! Convide seus amigos, familiares, namorados e animais de estimação, pessoalmente, por e-mail, telefone ou SMS, para compor essa imensa multidão, numa performance carnavalesca onde indignação e alegria se encontram e coexistem muito bem.